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Opinião: A eliminação do Audax mostra que só ideias não levam equipes aos seus objetivos

Felipe de Veras Publicado em 27/08/2020, às 19h39

Audax não tem mais chances matemáticas de se classificar às quartas de final
Audax não tem mais chances matemáticas de se classificar às quartas de final - Foto: Rodrigo Corsi/Paulistão

Se você acompanhou a partida entre Audax Osasco e São Bento nesta quinta-feira pelo SporTV, ouviu diversos elogios ao time osasquense pelos companheiros jornalistas durante a transmissão. Enfatizando as boas ideias  do modelo de jogo da equipe e em, algumas oportunidades, até a execução dessas ideias. Obviamente, respeito a opinião dos nossos colegas, mas é para tudo isso? Olhando a tabela e o rendimento da equipe, te digo que não. 

A tão elogiada posse de bola
A posse de bola virou obsessão dos times brasileiros que, muitas vezes, não arriscam com medo de perdê-la. A partir disso, fazem muitos passes por fora do bloco de marcação - em uma zona pouco pressionada no jogo - e pouco agem. 

Com o Audax não é diferente, não é de hoje que o time quer ter bola. Tocando a equipe até consegue passar da primeira linha, mas não progride além disso. Claro, que um jogo às 15h, com 30ºC na cabeça e a falta de qualidade técnica são fatores limitantes, mas não podemos aceitar como desculpa para um time em vários momentos inofensivo. Então, do que adianta ter a bola? 

Entramos na diferença de ideia e execução. Ter a posse é uma estratégia de jogo, nem melhor, nem pior do que outras, mas hoje há uma supervalorização dela. A execução do Osasco é fraca. Falta velocidade e intensidade no jogo, triangulações, construção de linhas de passe, profundidade e amplitude. A impressão que dá é que o time é preparado para a primeira construção ofensiva; chegando no último terço, torna-se uma equipe sem nenhuma organização. 

Seguindo essas máximas, o Audax até ficou com a bola, mas tirando os primeiros cinco minutos do segundo tempo, nada criou. Sinceramente, não vejo um time bem treinado e que mereça elogios por ter uma posse de bola ‘vazia’.

 
 
 
 
 
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Falta profundidade e Amplitude 
O Osasco é um time previsível, só ataca pelo lado esquerdo. Tanto que com uma substituição, o São Bento matou o fluxo ofensivo osasquense. Jeffinho foi o maior construtor da equipe e quem dava amplitude para o time pelo setor. Enquanto do lado oposto, por muitas vezes, havia um espaço vazio - em um jogo que, cada vez mais, o espaço é difícil de ser encontrado, torna-se um fato inconcebível. 

Jeffinho jogou como um homem bem aberto pela esquerda, um lateral que tem como característica construir as jogadas por dentro. Nenhum problema, mas a equipe precisa criar maneiras de dar profundidade ao jogo, senão, a partida será disputada numa área do campo que não se tem muita liberdade para jogar: o centro. 

Foi o que aconteceu. Jefinho - o único jogador que dá amplitude ao time -  recebia a bola aberto e trazia para dentro. Com o São Bento tendo duas linhas de quatro bem compactas e os jogadores do Osasco lentos nas tomadas de decisão e gestos técnicos, criou-se uma combinação na qual o sistema defensivo da equipe visitante dominou essa área do campo.

Foto: Rodrigo Corsi/Paulistão

Os momentos do jogo
Costumamos dizer que o jogo tem quatro momentos: defensivo, transição ofensiva, ofensivo, transição defensiva. Dentro dos 90 minutos, os times passarão por esses momentos diversas vezes e eles têm que estar preparados para realizá-los com a maior eficiência possível.

Não é o que acontece com o Audax. A equipe, por diversas vezes, cede espaços nas entrelinhas; os blocos de marcação ficam afastados um do outro, dando espaço para quem vem de trás - caso do gol do Fábio Bahia hoje. As transições ofensivas e defensivas são feitas de forma lenta, o time demora para se recompor e não consegue acelerar o jogo. Por fim, como já foi citado no texto, o ataque do time osasquense dificilmente escapa dos passes laterais e sem progressão. 

Um time de futebol não pode viver só de ideias, tem que saber executá-las. Sendo muito plausível, discutirmos se o Audax tem de fato grandes ideias. Ao analisarmos uma equipe, temos que estudar os quatro momentos da partida. Ter a posse, ‘supostas’ variações do sistema de jogo ou boas ideias, não fazem do Audax uma boa equipe, muito pelo contrário, é limitada em todas as fases do jogo. O clube Audax Osasco precisa rever seu modelo ou ficará preso na ideia de uma posse de bola que não agride e refém do time vice campeão paulista em 2016.

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Felipe De Veras é estudante de jornalismo na faculdade Cásper Líbero. Apaixonado por esportes, Felipe acompanha o futebol de Osasco desde o extinto ECO. Desde a transferência do Audax para Osasco em 2011, costuma a frequentar os jogos da equipe na cidade onde mora.