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Ex-Rio Claro e Atibaia, meia do Santo André recorda como era jogar em país em guerra

Gian atuou na Ucrânia em meio a conflitos com a Rússia em 2014; meia vai disputar a fase final da Série D pelo Santo André

Enrico Liberatori Publicado em 03/09/2021, às 18h00

Gian disputa a Série D do Brasileirão pelo Santo André
Gian disputa a Série D do Brasileirão pelo Santo André - Foto: Gabriel Dotto/EC Santo André

Quem vê Gian atuando pelo Santo André nem imagina por onde ele esteve no início da carreira. Antes de se estabelecer no futebol paulista, o meia de 28 anos jogou no leste da Europa entre 2011 e 2015, conhecendo outro futebol e, principalmente, outras culturas.

O meia, inclusive, descobriu como era atuar num país em guerra. Quando defendia o time ucraniano PFC Sumy na temporada 2013-14, as tensões geopolíticas entre Ucrânia e Rússia deram origem ao conflito armado que dura até hoje.

Chegada ao Leste Europeu

Em parceria com o Olé Brasil, clube de Ribeirão Preto, Gian foi jogar no Quirguistão em 2011, aos 18 anos. Na época, ele jogou pelo time B do Dordoi Bishkek por conta da idade. Quando foi promovido ao time principal, porém, não deixou de atuar pela segunda equipe.

"Eu estava bem no time B, fazendo gols e dando assistências. O treinador do time B queria que eu continuasse jogando para ele", disse Gian com exclusividade ao Escanteio SP. "Desgasta muito, mas eu tinha 18 anos, então aguentava".

Conflito na Ucrânia e retorno ao Brasil

Após dois anos no Quirguistão, Gian foi contratado pelo PFC Sumy para atuar no futebol ucraniano na temporada 2013-14. Na Ucrânia, o meia descobriu como é jogar em meio a um conflito armado.

Durante sua única temporada no PFC Sumy, as tensões geopolíticas entre Ucrânia e Rússia escalaram para uma guerra que dura até hoje. A cidade de Sumy, inclusive, faz parte da região de Sumy, que faz fronteira com a Rússia em boa parte de seu território. Jogar na região em 2014 era conviver com o conflito armado.

"Quando eu mudava de cidade, eu era parado e tinha que mostrar o passaporte", disse Gian, que revelou que a maior preocupação vinha de sua mãe, que estava no Brasil. "Ela via as notícias na televisão e me ligava preocupada. Eu falava que era tudo mentira, mas eu ia jogar e passava por tanques de guerra".

Gian em ação pelo Dordoi Bishkek, do Quirguistão — Foto: Divulgação

 

Ainda em 2014, Gian se transferiu novamente para o Dordoi Bishkek, retornando ao Quirguistão para mais dois anos jogando no país. Foram as duas últimas temporadas do meia antes de retornar ao Brasil e jogar no futebol brasileiro pela primeira vez a nível principal.

De volta ao Brasil, Gian se estabeleceu em seu estado-natal de São Paulo. Entre 2016 e 2020, o meia defendeu Rio Branco, Botafogo, Portuguesa e Atibaia no futebol paulista, também passando por Inter de Lages-SC e Tupi-MG.

Campanha com o Rio Claro

Em 2021, Gian vive sua melhor temporada na carreira. O meia disputou o Campeonato Paulista Série A2 pelo Rio Claro, que bateu na trave na busca pelo acesso e chegou às semifinais. No Azulão, ele viu de perto o funcionamento do trio de ataque formado por Denilson, Jair e Cesinha, artilheiro da Série A2 com sete gols.

Para ele, o segredo do time estava no técnico Alberto Félix e no ambiente do clube. "O ambiente no Rio Claro era muito bom. Conversamos até hoje. O Cesinha era meu colega de quarto. Encaixou bem por isso e pelo jeito que o professor Alberto [Félix] montava o time".

Série D no Santo André

Após a campanha no Rio Claro, Gian foi contratado pelo Santo André para o Campeonato Brasileiro Série D. No Ramalhão, o meia reencontrou o técnico Wilson Júnior, com quem trabalhou no Atibaia em 2019 e 2020.

No último sábado (28), o Santo André conquistou a classificação para a fase final da Série D. O clube do ABC Paulista ainda terá mais uma rodada pela primeira fase neste sábado (4), diante do Bangu, antes de seguir na busca pelo acesso à Série C.